De Leandro Molino
A vida é uma coisa realmente estranha. Estranhamente engraçada, divertida. Mas não deixa de ser estranha. Cada indivíduo possui a sua própria história, mesmo fazendo a mesma coisa que os outros estão a fazer: viver. Isso decorre de um montão de associações, desde as escolhas que fazemos, até as características físicas. Uns são mais altos, outros mais baixos. Uns mais fortes, outros nem tanto. Uns mais sagazes, outros menos. E assim é a humanidade, plural. Graças a Deus! Todavia, uma coisa une estes seres que, apesar de humanos, são tão diferentes: as vicissitudes. Todos nós, em dado momento de nossas breves existências, passamos por alguns momentos não tão agradáveis. O que diferencia os homens, nestes casos, é a forma como tais situações são encaradas. Para muitos, o “ato heróico” seria a forma mais adequada de resolver tais situações. Defino o “ato heróico” como aquele conjunto de ações que o sujeito promove no intuito de mostrar que ele sabe qual é o problema, sabe qual é a solução e sabe, mais, com toda a sua sapiência, como administrá-lo. É o “sabe-tudo” que enfrenta a tudo e a todos. Para outros, a melhor maneira é eximir-se da questão, deixando-a de lado. É o omisso, aquele que espera acontecer. Tudo. Estas duas formas, ao meu ver, são limitadas e, em verdade, não resolvem as situações surgidas no nosso cotidiano. Existe, sim, um meio termo. O “ato heróico” pode até resolver uma ou outra questão. Como em uma guerra, por exemplo. Mas quantos de nós, em pleno Século XXI, estarão, verdadeiramente, inseridos em uma guerra real? E o “ato heróico”, ademais, demanda de um gigantesco desgaste emocional. Sempre maior do que o necessário.O fato é que as coisas nunca são tão difíceis quanto parecem ser. Nós, humanos, é que a enfeitamos, tornando-as um monstrengo tão horroroso que não há Pitanguy na vida que dê jeito! Quando as questão da vida surgirem, compreenda que não são de tão difícil solução assim. Somo nós que as tornamos semi-impossíveis. Duvida disso? Pois bem. É seu legítimo e inalienável direito. Mas proponho um exercício: desapegue-se. É! Desapegue-se das questões. Elas existem? Sim, claro. São situações difíceis? Logicamente, pois a dificuldade compõe a convivência. Mas somente uma ferramenta se demonstrou eficaz para a solução destes fatos: a inteligência, capacidade que todos nós dispomos. Seja inteligente com você mesmo e, diante de uma determinada situação, desapegue-se dela e “voe de helicóptero”. É isso mesmo: sobrevoe a tal situação. Imagine-se dentro de um helicóptero e enxergue aquela situação corrente lá de cima, vislumbrando não somente o que está a sua frente, mas outros horizontes, outros recantos, outras possibilidades. Voe de helicóptero sempre que possível! Não estou pregando que você se exima de tudo, pois como pais, filhos, irmãos e profissionais temos as nossas naturais cotas de responsabilidades. Veja bem: voe, com o compromisso de retornar ao solo, propondo uma solução que somente poderia surgir se a tal situação fosse observada por um terceiro. E lá de cima! Podem até chamar-lhe de ausente. Mas, com o tempo, perceberão que você é muito mais presente do que se imagina, pois, inteligentemente e sem desculpas, traz e apresenta as soluções. Voe.
Friday, June 08, 2007
Wednesday, June 06, 2007
Anônima
De Lucimara Paiva
Quero ser uma mosquinha para descobrir o que você faz ou diz quando ninguém te vê. Assim poderia voar para bem perto do seu ouvido, falar tudo o que penso e novamente sumir.
Quero ser a sombra que te olha de longe e incomoda, mesmo que você não saiba que estou ali apontando o dedo na sua cara para lhe mostrar todos os seus erros.
Quero ser seu anjo e seu diabo, alternar os lados do seu ombro, controlar cada passo, reprimir cada vontade e podar tua opinião. Sinto muito se a sensação de poder for só minha. O importante é que não me atinja.
Não quero olhar nos seus olhos, ficar vulnerável, ter a resposta de troco na mesma altura. Vou mandar recado sem nome só para servir de ameaça.
Queria bisbilhotar sua vida, denegrir sua imagem, te humilhar de graça e sem motivo, apenas porque me dá prazer.
Porém sou de carne e osso e nada do que eu disse é possível, então uso o que o século 21 me deu sem esforço: a internet.
Falo o que penso, xingo e detono quem eu quiser, descubro tudo da sua vida, não meço palavras e espalho comentários deprimentes por aí.
O que eu quero mesmo é fazer com que você fique mal sem nenhuma razão construtiva. Como? Escondo minha cara, viro um personagem, falo sem palavras e respondo tudo como anônima. Você nunca vai descobrir.
Quero ser uma mosquinha para descobrir o que você faz ou diz quando ninguém te vê. Assim poderia voar para bem perto do seu ouvido, falar tudo o que penso e novamente sumir.
Quero ser a sombra que te olha de longe e incomoda, mesmo que você não saiba que estou ali apontando o dedo na sua cara para lhe mostrar todos os seus erros.
Quero ser seu anjo e seu diabo, alternar os lados do seu ombro, controlar cada passo, reprimir cada vontade e podar tua opinião. Sinto muito se a sensação de poder for só minha. O importante é que não me atinja.
Não quero olhar nos seus olhos, ficar vulnerável, ter a resposta de troco na mesma altura. Vou mandar recado sem nome só para servir de ameaça.
Queria bisbilhotar sua vida, denegrir sua imagem, te humilhar de graça e sem motivo, apenas porque me dá prazer.
Porém sou de carne e osso e nada do que eu disse é possível, então uso o que o século 21 me deu sem esforço: a internet.
Falo o que penso, xingo e detono quem eu quiser, descubro tudo da sua vida, não meço palavras e espalho comentários deprimentes por aí.
O que eu quero mesmo é fazer com que você fique mal sem nenhuma razão construtiva. Como? Escondo minha cara, viro um personagem, falo sem palavras e respondo tudo como anônima. Você nunca vai descobrir.
Tuesday, June 05, 2007
Ferrari
De Antonio Zubieta
O que todo mundo quer eu não quero. Por exemplo, eu não quero uma Ferrari. É decidi isso hoje.
O câmbio é duro, as marchas, curtas demais. Você mal engata a primeira e a segunda sai. O banco desconfortável. Quiseram inventar de ser esportivo e tem tanto frufru que as costas doem. No porta-luvas o pior. Por causa do airbag (isso é bom) não há espaço suficiente para colocar a carteira. As chaves de casa ficam fazendo barulho dentro do minúsculo espaço que é destinado, imagino eu, para este fim. O cara que projetou o espaço interno não é o mesmo que fez o carro por fora. Me disseram que o objetivo era esse mesmo. Este carro não é preparado para viagens longas. Outro dia fui até o Rio de Janeiro. Demorei 3 horas e um par de multas.
Fui até a fábrica da Ferrari, é, eles convidam os proprietários para uma visita na fábrica. Pediram autorização para colocar meu nome no painel de proprietários. Me deram uma senha para acessar o site e ficar informado de todas as babozeiras amarelas e vermelhas. Um porre! Tem um monte de jantar chato, coquetel, convite para degustação de vinho, desconto, imagino se isso é útil, para comprar sapatos prada e bolsa fendi. Dei a senha para minha empregada.
Ontem ela disse que entrou no site e que vai num jantar num restaurante lá no Itaim.
Ontem me ligou um cara da concessionária e perguntou se eu estava satisfeito com o carro e com o atendimento. Com o atendimento não pude dizer nada. Nunca precisei dos serviços deles. Do carro, bem, pedi para trocar. Eu só preciso de um carro para trabalhar.
O que todo mundo quer eu não quero. Por exemplo, eu não quero uma Ferrari. É decidi isso hoje.
O câmbio é duro, as marchas, curtas demais. Você mal engata a primeira e a segunda sai. O banco desconfortável. Quiseram inventar de ser esportivo e tem tanto frufru que as costas doem. No porta-luvas o pior. Por causa do airbag (isso é bom) não há espaço suficiente para colocar a carteira. As chaves de casa ficam fazendo barulho dentro do minúsculo espaço que é destinado, imagino eu, para este fim. O cara que projetou o espaço interno não é o mesmo que fez o carro por fora. Me disseram que o objetivo era esse mesmo. Este carro não é preparado para viagens longas. Outro dia fui até o Rio de Janeiro. Demorei 3 horas e um par de multas.
Fui até a fábrica da Ferrari, é, eles convidam os proprietários para uma visita na fábrica. Pediram autorização para colocar meu nome no painel de proprietários. Me deram uma senha para acessar o site e ficar informado de todas as babozeiras amarelas e vermelhas. Um porre! Tem um monte de jantar chato, coquetel, convite para degustação de vinho, desconto, imagino se isso é útil, para comprar sapatos prada e bolsa fendi. Dei a senha para minha empregada.
Ontem ela disse que entrou no site e que vai num jantar num restaurante lá no Itaim.
Ontem me ligou um cara da concessionária e perguntou se eu estava satisfeito com o carro e com o atendimento. Com o atendimento não pude dizer nada. Nunca precisei dos serviços deles. Do carro, bem, pedi para trocar. Eu só preciso de um carro para trabalhar.
Monday, June 04, 2007
O Bronze imaginário
De Luciana Muniz
Quando cheguei ao aeroporto muitos nos aguardavam, estavam ansiosos para receber todos aqueles que participariam da importante exposição. Somente as melhores obras daquele famoso escultor seriam expostas, e eu estava orgulhosa por participar de um evento tão badalado.
O transporte das peças para o museu foi demorado, calor intenso, muito trânsito e eu me sentindo mal por ter que fazer o trajeto frente a frente com um arqueiro de bronze a me fitar, e com sua flecha apontada para os meus pés. Por um instante achei graça deste meu mal estar, totalmente imaginário, ele nada poderia fazer para me ferir.
Finalmente chegamos ao museu, que já contava com mais pessoas especialmente selecionadas para cuidar do bem estar daqueles que dariam sentido à toda aquela logística de transporte. O dia se foi e eu aguardei pacientemente que o sol novamente se elevasse no horizonte, para então observar atentamente a fisionomia das pessoas que visitariam a exposição. Para mim é gratificante ver as mais diversas reações nos rostos que fitam as telas e as esculturas. Uns se admiram com os contornos perfeitos esculpidos artisticamente no bronze, outros se emocionam com a expressão facial das minhas companheiras e se põem a pensar intimamente em mil coisas. Eu as chamo de companheiras porque as vejo assim, como verdadeiras irmãs, pois junto delas viajei pelo mundo, fazendo parte da rotina de muitas exposições. Mas esta exposição em especial teve um sabor diferenciado para mim.
Aconteceu no terceiro dia em que o museu abriu suas portas para os visitantes. Uma garota dos seus oito anos se aproximou timidamente de mim, mas de início não reparei muito nela, pois não imaginava que em mim houvesse qualquer coisa que despertasse a curiosidade infantil. Mas os minutos corriam velozmente e ela não parava de me examinar, confesso que me senti incomodada, principalmente quando em uma olhadela, reparei que ela imitava a minha postura. Seus pais vieram ao seu encalço e eu não entendi porque ficaram com os olhos rasos de lágrimas. Por fim ouvi a mãe confessar baixinho para o marido que sentia um nó na garganta só de pensar que a pequena não sobreviveria a tempo de se tornar a primeira bailarina do teatro municipal. Tinha uma doença grave e sabia disso, por isso era tão silenciosa.
Depois daquela tarde comecei a imaginar as motivações que levam os escultores a criar esculturas tão perfeitas, tão reais. Se eu tivesse o dom de criar algo, faria exatamente como o meu mestre fez, criaria uma bailarina com uma linda saia em musselina e as longas madeixas presas em uma trança. Uma peça que inspirasse e ao mesmo tempo enchesse de esperança os corações daqueles que soubessem ver vida em uma escultura de bronze como eu.
Quando cheguei ao aeroporto muitos nos aguardavam, estavam ansiosos para receber todos aqueles que participariam da importante exposição. Somente as melhores obras daquele famoso escultor seriam expostas, e eu estava orgulhosa por participar de um evento tão badalado.
O transporte das peças para o museu foi demorado, calor intenso, muito trânsito e eu me sentindo mal por ter que fazer o trajeto frente a frente com um arqueiro de bronze a me fitar, e com sua flecha apontada para os meus pés. Por um instante achei graça deste meu mal estar, totalmente imaginário, ele nada poderia fazer para me ferir.
Finalmente chegamos ao museu, que já contava com mais pessoas especialmente selecionadas para cuidar do bem estar daqueles que dariam sentido à toda aquela logística de transporte. O dia se foi e eu aguardei pacientemente que o sol novamente se elevasse no horizonte, para então observar atentamente a fisionomia das pessoas que visitariam a exposição. Para mim é gratificante ver as mais diversas reações nos rostos que fitam as telas e as esculturas. Uns se admiram com os contornos perfeitos esculpidos artisticamente no bronze, outros se emocionam com a expressão facial das minhas companheiras e se põem a pensar intimamente em mil coisas. Eu as chamo de companheiras porque as vejo assim, como verdadeiras irmãs, pois junto delas viajei pelo mundo, fazendo parte da rotina de muitas exposições. Mas esta exposição em especial teve um sabor diferenciado para mim.
Aconteceu no terceiro dia em que o museu abriu suas portas para os visitantes. Uma garota dos seus oito anos se aproximou timidamente de mim, mas de início não reparei muito nela, pois não imaginava que em mim houvesse qualquer coisa que despertasse a curiosidade infantil. Mas os minutos corriam velozmente e ela não parava de me examinar, confesso que me senti incomodada, principalmente quando em uma olhadela, reparei que ela imitava a minha postura. Seus pais vieram ao seu encalço e eu não entendi porque ficaram com os olhos rasos de lágrimas. Por fim ouvi a mãe confessar baixinho para o marido que sentia um nó na garganta só de pensar que a pequena não sobreviveria a tempo de se tornar a primeira bailarina do teatro municipal. Tinha uma doença grave e sabia disso, por isso era tão silenciosa.
Depois daquela tarde comecei a imaginar as motivações que levam os escultores a criar esculturas tão perfeitas, tão reais. Se eu tivesse o dom de criar algo, faria exatamente como o meu mestre fez, criaria uma bailarina com uma linda saia em musselina e as longas madeixas presas em uma trança. Uma peça que inspirasse e ao mesmo tempo enchesse de esperança os corações daqueles que soubessem ver vida em uma escultura de bronze como eu.
Friday, June 01, 2007
PASSEIO DE BICICLETA DA ESTÂNCIA SANTA ANA ATÉ MIRASSOL OUVINDO MP3 NO MÓDULO RANDÔMICO
De Marcelo Ferrari
Respeitável pudico! Vai começar o espantalho! A direita, galinhassauros e piteromoscas. Atrás dotrilho reside um velho milho. Da janela do laranjal, uma montanha de carne e mocotó desfila pocotó peloestádio de futebol. O cavalo trota cheio de estofo na contramão do vai e vento. Nós, inventores da roda,iremos de bicicleta, desejo que vira imaginação, que vira perna, que vira pedal, que vira roda, que vira omundo, alimentando-o de horizontes. Cuidado ao atravessar o mata burro! É preciso pisar em ovos.Aqueles que tiverem nome de santo não precisar doar sangue feito aquelas seringueiras ali. Perdoem-me a barba mal feita do asfalto. Quem estiver sem chapéu pode pegar um no ipê. Damas de rosa. Cavalheiros de amarelo. As vacas não são santistas, nem corintianas, mas o boi, boi, boi, torce pra ponte-preta. Não tem jeito de perder o rumo, é só seguir os fios de alta civilização. Já estamos perto! Podem ver o incêndio de luz na caixa d´água da cidade? Mirassol é logo depois das dunas de capim gordura. Mira! Mira! Chegamos! E quem quiser fixar residência, nem precisa de escritura, bastar tirar os sapatos e deixar crescer a planta dos pés.
Respeitável pudico! Vai começar o espantalho! A direita, galinhassauros e piteromoscas. Atrás dotrilho reside um velho milho. Da janela do laranjal, uma montanha de carne e mocotó desfila pocotó peloestádio de futebol. O cavalo trota cheio de estofo na contramão do vai e vento. Nós, inventores da roda,iremos de bicicleta, desejo que vira imaginação, que vira perna, que vira pedal, que vira roda, que vira omundo, alimentando-o de horizontes. Cuidado ao atravessar o mata burro! É preciso pisar em ovos.Aqueles que tiverem nome de santo não precisar doar sangue feito aquelas seringueiras ali. Perdoem-me a barba mal feita do asfalto. Quem estiver sem chapéu pode pegar um no ipê. Damas de rosa. Cavalheiros de amarelo. As vacas não são santistas, nem corintianas, mas o boi, boi, boi, torce pra ponte-preta. Não tem jeito de perder o rumo, é só seguir os fios de alta civilização. Já estamos perto! Podem ver o incêndio de luz na caixa d´água da cidade? Mirassol é logo depois das dunas de capim gordura. Mira! Mira! Chegamos! E quem quiser fixar residência, nem precisa de escritura, bastar tirar os sapatos e deixar crescer a planta dos pés.
Thursday, May 31, 2007
Apenas números
De Tiago Abad
Você sabia que após a análise de 400 casos solucionados pela polícia, foram presas mais de 5.000 pessoas? Até aí, nenhuma novidade. Mas, entre essas 5.000 pessoas, 1.000 eram ligados à política? (deputados, senadores, filhos da puta, etc.). Ouvi isto na rádio, mas sabe o que fiz? Fiquei puto e desliguei, só queria ouvir música.
Assistindo ao Globo Rural (pois é, assisto isso de vez em quando), vi que em uma fazenda de gado de corte, mais de 8.000 bois são mortos por dia. Claro, isto em uma só fazenda, mesmo porque, se tivéssemos três fazendas (e tem muito mais que isso), teríamos uma marca de 24.000 bois. Poderíamos trocar por políticos, o que acham? Mas, sabe o que fiz? Fiquei depressivo e me confraternizei com alguns parentes dos bois, vítimas, em uma churrascaria.
Neste momento em que digito tudo isso, o mundo está cheio de uma população de 6,6 bilhões.
Na República Democrática do Congo, por exemplo, morrem mais de 1.200 pessoas por dia, segundo a UNICEF, aliás, o Congo é um dos três piores lugares pra se nascer. Podemos mandar políticos pra lá? Mas, sabe o que eu fiz? Isso me deixou tão depressivo que acabei doando uma cesta básica pra um morador de rua.
A Segunda Guerra Mundial provocou a morte de mais ou menos 55 milhões de pessoas; a bomba de Hiroshima matou mais de 60 mil pessoas. Algum político foi morto? Acontece algo com os causadores das guerras? Sabe o que eu fiz? Nada, eu não era nascido, ou talvez fazia parte de outra encarnação. Mas agora estou preocupado com o aquecimento global. Só compro palitos de dente de madeira de reflorestamento, estou reciclando até embalagem de camisinha, e não jogo mais papelzinho na rua. Mas, estou preocupado com os puns das vacas, e volto na questão “será que não é bom matar todas? Afinal, vaca morta não solta pum e não afeta a camada de ozônio”.
Apenas números, ligue seu Ipod e não leia jornais.
Você sabia que após a análise de 400 casos solucionados pela polícia, foram presas mais de 5.000 pessoas? Até aí, nenhuma novidade. Mas, entre essas 5.000 pessoas, 1.000 eram ligados à política? (deputados, senadores, filhos da puta, etc.). Ouvi isto na rádio, mas sabe o que fiz? Fiquei puto e desliguei, só queria ouvir música.
Assistindo ao Globo Rural (pois é, assisto isso de vez em quando), vi que em uma fazenda de gado de corte, mais de 8.000 bois são mortos por dia. Claro, isto em uma só fazenda, mesmo porque, se tivéssemos três fazendas (e tem muito mais que isso), teríamos uma marca de 24.000 bois. Poderíamos trocar por políticos, o que acham? Mas, sabe o que fiz? Fiquei depressivo e me confraternizei com alguns parentes dos bois, vítimas, em uma churrascaria.
Neste momento em que digito tudo isso, o mundo está cheio de uma população de 6,6 bilhões.
Na República Democrática do Congo, por exemplo, morrem mais de 1.200 pessoas por dia, segundo a UNICEF, aliás, o Congo é um dos três piores lugares pra se nascer. Podemos mandar políticos pra lá? Mas, sabe o que eu fiz? Isso me deixou tão depressivo que acabei doando uma cesta básica pra um morador de rua.
A Segunda Guerra Mundial provocou a morte de mais ou menos 55 milhões de pessoas; a bomba de Hiroshima matou mais de 60 mil pessoas. Algum político foi morto? Acontece algo com os causadores das guerras? Sabe o que eu fiz? Nada, eu não era nascido, ou talvez fazia parte de outra encarnação. Mas agora estou preocupado com o aquecimento global. Só compro palitos de dente de madeira de reflorestamento, estou reciclando até embalagem de camisinha, e não jogo mais papelzinho na rua. Mas, estou preocupado com os puns das vacas, e volto na questão “será que não é bom matar todas? Afinal, vaca morta não solta pum e não afeta a camada de ozônio”.
Apenas números, ligue seu Ipod e não leia jornais.
Wednesday, May 30, 2007
Querido(a) Amigo(a)
De Li de Oliveira
Hoje estive pensando em vocês. Em cada um de vocês. Em cada sorriso. Em cada lágrima. Em cada abraço. Senti-me só.
Recordei cada aventura. Furada. Papo sério. E ouvi silêncio.Então me dei conta que estava à mercê do quase. Hoje eu quase te liguei. Quase te escrevi um e-mail. Quase te chamei para irmos a algum lugar. Mas o quase não me permitiu dar continuidade aos meus desejos.O tempo está enlouquecido. Menor. Sobra trabalho. Some a vida. A minha vida. E assim, entrego-me ao quase. Será que você é capaz de me entender?
Todos os dias eu penso em você e rezo para que esteja bem. Com o sorriso no rosto, como uma boba solitária, eu me lembro de tudo que já passamos e querendo que muito mais aconteça. Mas quando?
Hoje eu quase chorei sozinha, ou melhor, no meio de muitas pessoas. Das quais não conheço. Não sei como são e para onde iam. Mas hoje quase me viram chorar. Desta vez o quase, até que me ajudou.
Você de repente pode estar pensando que o esqueci. Pois mal tem notícias minhas. Mas preciso, necessito que saiba que isto é uma grande bobagem, tudo que eu mais queria era poder manter o contato diário com você e poder saber mais da sua vida. Poder falar da minha vida. Mas e este tempo que quase me enlouquece?
Por favor, nunca se esqueça que a minha ausência não corresponde ao meu carinho por você. Sempre que puder estarei junto, perto. Falando aquelas besteiras que tão bem conhece, porque o que melhor faz a minha felicidade é o teu sorriso.
Estou com saudade e acho que merecia saber. Saber que minha vida está mais preto e branco sem você tão perto. Que também me incomoda o silêncio. Que também espero só um alô para saber que ainda somos ligados por nossas almas.
Ah, e quase que me esqueço. Sim, eu o amo. Muito, meu amigo.
Hoje estive pensando em vocês. Em cada um de vocês. Em cada sorriso. Em cada lágrima. Em cada abraço. Senti-me só.
Recordei cada aventura. Furada. Papo sério. E ouvi silêncio.Então me dei conta que estava à mercê do quase. Hoje eu quase te liguei. Quase te escrevi um e-mail. Quase te chamei para irmos a algum lugar. Mas o quase não me permitiu dar continuidade aos meus desejos.O tempo está enlouquecido. Menor. Sobra trabalho. Some a vida. A minha vida. E assim, entrego-me ao quase. Será que você é capaz de me entender?
Todos os dias eu penso em você e rezo para que esteja bem. Com o sorriso no rosto, como uma boba solitária, eu me lembro de tudo que já passamos e querendo que muito mais aconteça. Mas quando?
Hoje eu quase chorei sozinha, ou melhor, no meio de muitas pessoas. Das quais não conheço. Não sei como são e para onde iam. Mas hoje quase me viram chorar. Desta vez o quase, até que me ajudou.
Você de repente pode estar pensando que o esqueci. Pois mal tem notícias minhas. Mas preciso, necessito que saiba que isto é uma grande bobagem, tudo que eu mais queria era poder manter o contato diário com você e poder saber mais da sua vida. Poder falar da minha vida. Mas e este tempo que quase me enlouquece?
Por favor, nunca se esqueça que a minha ausência não corresponde ao meu carinho por você. Sempre que puder estarei junto, perto. Falando aquelas besteiras que tão bem conhece, porque o que melhor faz a minha felicidade é o teu sorriso.
Estou com saudade e acho que merecia saber. Saber que minha vida está mais preto e branco sem você tão perto. Que também me incomoda o silêncio. Que também espero só um alô para saber que ainda somos ligados por nossas almas.
Ah, e quase que me esqueço. Sim, eu o amo. Muito, meu amigo.
Tuesday, May 29, 2007
Foco
De Thiago Fabrette
Mantenha o foco. Elabore. Aconteça em apenas uma coisa. Foque.
Toda semana, me pego perdendo o foco. Desde coisas simples às mais complexas. Em casa, no trabalho, com os amigos.
Semana passada, recebi uma tarefa inusitada da terapeuta. Foque. Pega apenas uma coisa pra fazer de cada vez e mantenha o foco até acabar.
Que coisa mais estranha! Quase não entendi o recado, mas aos poucos, fui tomado por uma lembrança incrível das milhares de coisas que eu precisei terminar e fazer até o fim, mas que deixei de lado.
Uma vez, tentei aprender música. Comprei violão, sacola de proteção para o instrumento, marquei aulas... Sabe o que eu toco hoje em dia? Absolutamente porra nenhuma.
Depois, na onda de um amigo, tentei fazer windsurf. Acho que tento até hoje, sem nem ter uma só vez, velejado sem ser durante as aulas na represa. E ainda pior, paguei depois umas aulas de vela em barco e nunca fiz. Acho que gastei uns R$ 1.000,00 até hoje com isso e nunca velejei.
E faculdade? Biologia. Sem terminar. MBA. Sem terminar.
E no trabalho? Tudo pra última hora e, se puder, tudo chutado.
Incrível como fui surpreendido com a tarefa. Sei que faço isso, sei que isso é ruim, mas continuo. Agora, tenho que mudar isso. É para meu bem, para minha formação.
Então, vamos lá...
Quero aqui ficar escrevendo sobre isso, vamos lá...
(...)
Mantenha o foco. Elabore. Aconteça em apenas uma coisa. Foque.
Toda semana, me pego perdendo o foco. Desde coisas simples às mais complexas. Em casa, no trabalho, com os amigos.
Semana passada, recebi uma tarefa inusitada da terapeuta. Foque. Pega apenas uma coisa pra fazer de cada vez e mantenha o foco até acabar.
Que coisa mais estranha! Quase não entendi o recado, mas aos poucos, fui tomado por uma lembrança incrível das milhares de coisas que eu precisei terminar e fazer até o fim, mas que deixei de lado.
Uma vez, tentei aprender música. Comprei violão, sacola de proteção para o instrumento, marquei aulas... Sabe o que eu toco hoje em dia? Absolutamente porra nenhuma.
Depois, na onda de um amigo, tentei fazer windsurf. Acho que tento até hoje, sem nem ter uma só vez, velejado sem ser durante as aulas na represa. E ainda pior, paguei depois umas aulas de vela em barco e nunca fiz. Acho que gastei uns R$ 1.000,00 até hoje com isso e nunca velejei.
E faculdade? Biologia. Sem terminar. MBA. Sem terminar.
E no trabalho? Tudo pra última hora e, se puder, tudo chutado.
Incrível como fui surpreendido com a tarefa. Sei que faço isso, sei que isso é ruim, mas continuo. Agora, tenho que mudar isso. É para meu bem, para minha formação.
Então, vamos lá...
Quero aqui ficar escrevendo sobre isso, vamos lá...
(...)
Monday, May 28, 2007
Tuquinha
De Suzana Marion
É domingo a noite e por incrível que pareça, a casa está cheia. Faz muito frio e toda vez que eu me ajeito chega mais alguém e eu corro pra porta pra receber. E tem gente que ainda reclama porque eu vou correndo, porque eu faço barulho... se eu pudesse eu diria “então vai você”!
Todos estão conversando animadamente, mas às vezes alguém pára um pouco pra ver o que eu estou fazendo. Nesses momentos eles me olham assim, como garoto que a mãe contou que o cachorro caiu da mudança. O pior é que se eu vou até eles com todo o meu carinho, eles riem e dizem que eu sou muito confiada... vai entender.
Agora é outro que me chama lá na sala. Ele levanta a mãozona e dá um tapinha de leve no meu bumbum, só pra me assustar. Todos estão jantando e eu to aqui semi-nua, no chão, pedindo por comida... custa colaborar? Tem quem se compadeça e me lance umas migalhas e tem também quem diga que ali não é o meu lugar... então eu volto pra sala e percebo que o cara está me dando atenção porque ficou com vergonha de me mandar sair dali na frente da namorada. Mas tudo bem, já me toquei, e já encontrei quem me dê atenção e carinho, mesmo que por gratidão por ter se escondido atrás de mim pra fugir e impressionar o sogro. Pronto, já estou quentinha novamente e o atrevido fazendo carinho na minha barriga!!!Olha só, tem mais gente chegando, e lá vou eu outra vez correr pro portão, nesse frio, receber as visitas! E quem sabe, depois de ter feito o meu serviço direitinho, de abanar o rabinho e latir pros estranhos, eu não ganho um belo osso?!
É domingo a noite e por incrível que pareça, a casa está cheia. Faz muito frio e toda vez que eu me ajeito chega mais alguém e eu corro pra porta pra receber. E tem gente que ainda reclama porque eu vou correndo, porque eu faço barulho... se eu pudesse eu diria “então vai você”!
Todos estão conversando animadamente, mas às vezes alguém pára um pouco pra ver o que eu estou fazendo. Nesses momentos eles me olham assim, como garoto que a mãe contou que o cachorro caiu da mudança. O pior é que se eu vou até eles com todo o meu carinho, eles riem e dizem que eu sou muito confiada... vai entender.
Agora é outro que me chama lá na sala. Ele levanta a mãozona e dá um tapinha de leve no meu bumbum, só pra me assustar. Todos estão jantando e eu to aqui semi-nua, no chão, pedindo por comida... custa colaborar? Tem quem se compadeça e me lance umas migalhas e tem também quem diga que ali não é o meu lugar... então eu volto pra sala e percebo que o cara está me dando atenção porque ficou com vergonha de me mandar sair dali na frente da namorada. Mas tudo bem, já me toquei, e já encontrei quem me dê atenção e carinho, mesmo que por gratidão por ter se escondido atrás de mim pra fugir e impressionar o sogro. Pronto, já estou quentinha novamente e o atrevido fazendo carinho na minha barriga!!!Olha só, tem mais gente chegando, e lá vou eu outra vez correr pro portão, nesse frio, receber as visitas! E quem sabe, depois de ter feito o meu serviço direitinho, de abanar o rabinho e latir pros estranhos, eu não ganho um belo osso?!
Friday, May 25, 2007
A árvore
De Leandro Molino
Dia destes, observando uma pastagem, dei conta da existência de uma frondosa, altíssima e forte árvore. Isolada de todos os lados. Provavelmente, todas as suas semelhantes foram dizimadas quando o ser humano ali resolveu agir, intervindo na criação daquele pasto. Uma sobrevivente, portanto. Tirante as questões ambientais, que não pretendo abordar, até que aquela intervenção ficou bem bonita: um conjunto de pequenos montes, todos cobertos de um verde pasto, com esta solitária sobrevivente num de seus pontos mais altos, como se fosse a majestade local, a observar toda a extensão do seu reino. Todavia, apesar da indubitável beleza deste cenário, confesso que me bateu uma certa tristeza quando o observava. Fiquei imaginando aquela árvore, ali, naquele lugar bucólico. Sozinha. Tem gente que afirma conversar com as plantas e árvores. Tem gente que acredita nesta possibilidade. Outras, nem tanto. Fato é que aquela especial árvore me parecia uma espécie anciã, daquelas multi-centenárias que ainda existem Mundo afora. Deve ter passado, portanto, por situações incrivelmente interessantes, pois está lá, naquele cume, há mais tempo que todos nós. Uma sábia, sem dúvidas. Se eu quisesse conversar com alguma árvore, conversaria com aquela, para saber sobre fatos antigos, situações ocorridas às suas vistas, à sua sombra. Desejaria questionar-lhe sobre namoros, beijos, nascimentos, mortes, enfim, tudo o que ocorreu ao longo de todos estes muitos anos à sua margem. Gostaria de perguntar, ainda, como é que ela consegue ser tão forte, bela e vistosa vivendo solitariamente. E perguntaria se vale a pena ser tão deslumbrante sozinha. Será?
Dia destes, observando uma pastagem, dei conta da existência de uma frondosa, altíssima e forte árvore. Isolada de todos os lados. Provavelmente, todas as suas semelhantes foram dizimadas quando o ser humano ali resolveu agir, intervindo na criação daquele pasto. Uma sobrevivente, portanto. Tirante as questões ambientais, que não pretendo abordar, até que aquela intervenção ficou bem bonita: um conjunto de pequenos montes, todos cobertos de um verde pasto, com esta solitária sobrevivente num de seus pontos mais altos, como se fosse a majestade local, a observar toda a extensão do seu reino. Todavia, apesar da indubitável beleza deste cenário, confesso que me bateu uma certa tristeza quando o observava. Fiquei imaginando aquela árvore, ali, naquele lugar bucólico. Sozinha. Tem gente que afirma conversar com as plantas e árvores. Tem gente que acredita nesta possibilidade. Outras, nem tanto. Fato é que aquela especial árvore me parecia uma espécie anciã, daquelas multi-centenárias que ainda existem Mundo afora. Deve ter passado, portanto, por situações incrivelmente interessantes, pois está lá, naquele cume, há mais tempo que todos nós. Uma sábia, sem dúvidas. Se eu quisesse conversar com alguma árvore, conversaria com aquela, para saber sobre fatos antigos, situações ocorridas às suas vistas, à sua sombra. Desejaria questionar-lhe sobre namoros, beijos, nascimentos, mortes, enfim, tudo o que ocorreu ao longo de todos estes muitos anos à sua margem. Gostaria de perguntar, ainda, como é que ela consegue ser tão forte, bela e vistosa vivendo solitariamente. E perguntaria se vale a pena ser tão deslumbrante sozinha. Será?
Thursday, May 24, 2007
Dona Corruptela
De Léo Lousada
Às 06:00h, Dona Corruptela já estava acordada e dando café para as crianças. Como sempre, estava com pressa e pegou um pacote de bolacha para ir comendo no caminho. Às 07:00h estava saindo de casa e lembrou que seu carro estava no rodízio, mas já conhecia um caminho em que não havia nenhum CET até o colégio das crianças. Foi fazendo o caminho e realmente não havia fiscal para multá-la.
Ia dirigindo e comendo suas bolachas e assim que acabou o pacote, ela não pensou duas vezes e o atirou pela janela.
Quase chegando ao colégio, lembrou que havia deixado roupa de molho na máquina e aproveitou para ligar do celular para casa para avisar a empregada de ligar a máquina de lavar. Entre as manobras com uma mão só e as ordens para a empregada, Dona Corruptela chegou ao colégio das crianças. Como sempre parou o carro em fila dupla e deixou os filhos no colégio.
Às 07:30h já estava a caminho do trabalho e decidiu comprar uma pasta numa papelaria para apresentar o novo projeto pelo qual ela estava trabalhando há um mês. Parou em local proibido, pois era rapidinho, e lá foi comprar a pasta. Comprou e foi ao trabalho.
No trabalho, Dona Corruptela fez sua apresentação com maestria e habilidade, deixando a todos na sala muito convencidos de seu projeto. Era um projeto pequeno, mas seria para a prefeitura e isso poderia render bons frutos para a empresa onde Dona Corruptela trabalhava. Entretanto, um dos sócios da empresa lembrou sua funcionária que era um projeto público e que haveria licitação, e o projeto de Dona Corruptela não era dos mais baratos. Mas nossa heroína já tinha uma resposta pronta: ela iria inscrever mais duas empresas fantasmas com preços maiores para garantir a aprovação de seu projeto. Foi muito aplaudida e ela não sabia, mas depois seria promovida por isso.
Aquele dia Dona Corruptela saiu mais cedo do trabalho (afinal, ela merecia) e foi até uma doceria. Novamente ela parou em local proibido, afinal era rapidinho de novo, e comeu seu doce. Seu doce sucesso. Ao sair deu de cara com um “marronzinho” preparando o talão para multá-la. Depois de uma curta conversa e R$ 20,00, Dona Corruptela escapou daquele vilão que queria estragar seu dia.
Decidiu pegar as crianças mais cedo na escola, pois já eram 17:00h e seguindo pelo caminho sem “CETs” chegou a sua casa.
Fez o jantar e sentou-se no sofá para ver o Jornal Nacional com seu marido. Dona Corruptela ficou horrorizada com o escândalo do Ministro de Minas e Energia. “É um absurdo esse país, os políticos que deveriam dar o exemplo e olha só a quantidade de maracutaia que eles fazem”.
E esse foi mais um dia de Dona Corruptela. Uma típica brasileira.
Às 06:00h, Dona Corruptela já estava acordada e dando café para as crianças. Como sempre, estava com pressa e pegou um pacote de bolacha para ir comendo no caminho. Às 07:00h estava saindo de casa e lembrou que seu carro estava no rodízio, mas já conhecia um caminho em que não havia nenhum CET até o colégio das crianças. Foi fazendo o caminho e realmente não havia fiscal para multá-la.
Ia dirigindo e comendo suas bolachas e assim que acabou o pacote, ela não pensou duas vezes e o atirou pela janela.
Quase chegando ao colégio, lembrou que havia deixado roupa de molho na máquina e aproveitou para ligar do celular para casa para avisar a empregada de ligar a máquina de lavar. Entre as manobras com uma mão só e as ordens para a empregada, Dona Corruptela chegou ao colégio das crianças. Como sempre parou o carro em fila dupla e deixou os filhos no colégio.
Às 07:30h já estava a caminho do trabalho e decidiu comprar uma pasta numa papelaria para apresentar o novo projeto pelo qual ela estava trabalhando há um mês. Parou em local proibido, pois era rapidinho, e lá foi comprar a pasta. Comprou e foi ao trabalho.
No trabalho, Dona Corruptela fez sua apresentação com maestria e habilidade, deixando a todos na sala muito convencidos de seu projeto. Era um projeto pequeno, mas seria para a prefeitura e isso poderia render bons frutos para a empresa onde Dona Corruptela trabalhava. Entretanto, um dos sócios da empresa lembrou sua funcionária que era um projeto público e que haveria licitação, e o projeto de Dona Corruptela não era dos mais baratos. Mas nossa heroína já tinha uma resposta pronta: ela iria inscrever mais duas empresas fantasmas com preços maiores para garantir a aprovação de seu projeto. Foi muito aplaudida e ela não sabia, mas depois seria promovida por isso.
Aquele dia Dona Corruptela saiu mais cedo do trabalho (afinal, ela merecia) e foi até uma doceria. Novamente ela parou em local proibido, afinal era rapidinho de novo, e comeu seu doce. Seu doce sucesso. Ao sair deu de cara com um “marronzinho” preparando o talão para multá-la. Depois de uma curta conversa e R$ 20,00, Dona Corruptela escapou daquele vilão que queria estragar seu dia.
Decidiu pegar as crianças mais cedo na escola, pois já eram 17:00h e seguindo pelo caminho sem “CETs” chegou a sua casa.
Fez o jantar e sentou-se no sofá para ver o Jornal Nacional com seu marido. Dona Corruptela ficou horrorizada com o escândalo do Ministro de Minas e Energia. “É um absurdo esse país, os políticos que deveriam dar o exemplo e olha só a quantidade de maracutaia que eles fazem”.
E esse foi mais um dia de Dona Corruptela. Uma típica brasileira.
Wednesday, May 23, 2007
Estupidamente iludida
De Lucimara Paiva
Ele é tão inteligente, tão simpático e tem o sorriso tão lindo que, com o maior prazer, ignorei qualquer mínimo defeito que possa aparecer.
Ele tem as veias do antebraço salientes, a nuca sexy e os cílios curvadinhos. As mãos são grandes e já achei “pelinhas” escapando da cutícula.
Além de ser quentinho, ele dorme fazendo bico e fica me procurando pela cama até me achar para poder se enrolar todo.
Ele fala bom dia bem baixinho no meu ouvido até que eu acorde. Ensinou-me a dançar, a bater em ladrão, a fazer lasanha de frango e me faz chorar de rir a cada uma hora e meia. Adoro o jeito que ele se mexe quando anda.
Quando fala, olha no olho. Pede opinião, mede conseqüências, adora meus cachorros e escreve bem. Ele beija bem, pega bem e isso que você está pensando ele também faz bem.
Ele me trata como mulher e não como o “brother” dele.
Gosta de mim porque sou desbocada, porque não freqüento manicure e não faço luzes no cabelo, porque prefiro tatuagens ao invés de sapatos e me agarra quando uso All Star. Não se espanta com tequila, não julga e retruca com classe e bom humor cada “piada-baixaria” que falo em pleno horário de almoço.
Ele gosta de viajar, lê três livros de uma só vez, se empolga sempre e me acha linda mesmo quando faço faxina. Ele chora, respeita e não me troca por qualquer vaca que tem o carro do ano. Ele não sente prazer em usar o próprio orgulho contra mim nem briga comigo pelo MSN. Ele é verdadeiro e é cheiroso.
6:30 a.m.: Já falei que odeio despertador?
Ele é tão inteligente, tão simpático e tem o sorriso tão lindo que, com o maior prazer, ignorei qualquer mínimo defeito que possa aparecer.
Ele tem as veias do antebraço salientes, a nuca sexy e os cílios curvadinhos. As mãos são grandes e já achei “pelinhas” escapando da cutícula.
Além de ser quentinho, ele dorme fazendo bico e fica me procurando pela cama até me achar para poder se enrolar todo.
Ele fala bom dia bem baixinho no meu ouvido até que eu acorde. Ensinou-me a dançar, a bater em ladrão, a fazer lasanha de frango e me faz chorar de rir a cada uma hora e meia. Adoro o jeito que ele se mexe quando anda.
Quando fala, olha no olho. Pede opinião, mede conseqüências, adora meus cachorros e escreve bem. Ele beija bem, pega bem e isso que você está pensando ele também faz bem.
Ele me trata como mulher e não como o “brother” dele.
Gosta de mim porque sou desbocada, porque não freqüento manicure e não faço luzes no cabelo, porque prefiro tatuagens ao invés de sapatos e me agarra quando uso All Star. Não se espanta com tequila, não julga e retruca com classe e bom humor cada “piada-baixaria” que falo em pleno horário de almoço.
Ele gosta de viajar, lê três livros de uma só vez, se empolga sempre e me acha linda mesmo quando faço faxina. Ele chora, respeita e não me troca por qualquer vaca que tem o carro do ano. Ele não sente prazer em usar o próprio orgulho contra mim nem briga comigo pelo MSN. Ele é verdadeiro e é cheiroso.
6:30 a.m.: Já falei que odeio despertador?
Tuesday, May 22, 2007
Vida a dois
De Fernando Alonso
- Oi Lú tudo bem?
- Tudo ‘’mô’’.
- Que cara é essa?
- Nada. Estamos indo comer onde?
- No Jardim Sul mesmo. É aqui perto e tem coisas boas lá.
- Falei com o Fê hoje. Então, vamos para a praia amanhã?
- Não, não, não, NÃO!!
- Não, não, não, não? Que putaria é essa?
- Eu não quero!
- Não quero? E o que eu quero? Não conta?
- Eu tô gorda.
- Então pára de comer essa merda dessa barra de chocolate de meio kilo! Porra!
- Como você é grosso!
- Lú vai começar? Por que você não quer ir? Nós já tínhamos combinado isso desde a semana passada!
- Por que eu sempre tenho que fazer o que você quer e seus programas? Você nunca faz o que eu quero.
- Como assim? Não fomos no pagode que você queria? Não fomos visitar aquela pentelha da sua prima também?
- Ta vendo olha como você fala!
- É verdade ué. O que você queria? Que eu mentisse pra você?
- Eu queria que você me levasse no Circo.
- No circo? NO CIRCO? Quantos anos você tem? Porra! Parece que você tem quinze anos! Você ta é fazendo pirraça! E...Ah não começa a chorar!
- Não to fazendo pirraça! Você que é egoísta.
- Pronto vai, chegamos. Vamos comer.
- Lú?
- Você não vai descer do carro?
- Não vou!
- Ah não. Assim não vai dar certo.
- Só porque estamos discutindo? Se você não quer mais avisa logo!
(partida no carro, momentos de silencio).
- Desce. Chegamos na sua avó. Vou te deixar aqui e vou comer.
- Não precisa mais aparecer se não quiser.
- Ta bom. Tchau.
(10 minutos depois)
- Alô?
- Oi ‘’mô’’
- Fala Lú.
- Vem aqui?
- Tá. To indo.
- ‘’Mooô’’. ‘’Toelho’’? Te amo viu?
- Eu também te amo bebê!
- Oi Lú tudo bem?
- Tudo ‘’mô’’.
- Que cara é essa?
- Nada. Estamos indo comer onde?
- No Jardim Sul mesmo. É aqui perto e tem coisas boas lá.
- Falei com o Fê hoje. Então, vamos para a praia amanhã?
- Não, não, não, NÃO!!
- Não, não, não, não? Que putaria é essa?
- Eu não quero!
- Não quero? E o que eu quero? Não conta?
- Eu tô gorda.
- Então pára de comer essa merda dessa barra de chocolate de meio kilo! Porra!
- Como você é grosso!
- Lú vai começar? Por que você não quer ir? Nós já tínhamos combinado isso desde a semana passada!
- Por que eu sempre tenho que fazer o que você quer e seus programas? Você nunca faz o que eu quero.
- Como assim? Não fomos no pagode que você queria? Não fomos visitar aquela pentelha da sua prima também?
- Ta vendo olha como você fala!
- É verdade ué. O que você queria? Que eu mentisse pra você?
- Eu queria que você me levasse no Circo.
- No circo? NO CIRCO? Quantos anos você tem? Porra! Parece que você tem quinze anos! Você ta é fazendo pirraça! E...Ah não começa a chorar!
- Não to fazendo pirraça! Você que é egoísta.
- Pronto vai, chegamos. Vamos comer.
- Lú?
- Você não vai descer do carro?
- Não vou!
- Ah não. Assim não vai dar certo.
- Só porque estamos discutindo? Se você não quer mais avisa logo!
(partida no carro, momentos de silencio).
- Desce. Chegamos na sua avó. Vou te deixar aqui e vou comer.
- Não precisa mais aparecer se não quiser.
- Ta bom. Tchau.
(10 minutos depois)
- Alô?
- Oi ‘’mô’’
- Fala Lú.
- Vem aqui?
- Tá. To indo.
- ‘’Mooô’’. ‘’Toelho’’? Te amo viu?
- Eu também te amo bebê!
Monday, May 21, 2007
Crisálida
De Luciana Muniz
Há muito lutava contra eu mesma. Desisti de ser triste, feia, relutante. É a minha verdadeira natureza? Não sei... Olhei para dentro de mim e vi poucas qualidades e muitos defeitos. Vi podridão, egoísmo, medo...
Mas você enxergou apenas as qualidades, viu um ser que evitava a presença das pessoas por não saber como lidar com elas.
O mundo era apenas escuridão antes de encontrar o brilho do seu olhar. As flores não tinham perfume e suas cores eram apagadas, eu não via magia alguma em apreciar a diversidade de espécies que me cercavam.
Mas os dias foram passando, ora lentos, ora depressa demais. Algo mudava dentro de mim a cada dia, eu não conseguia entender o que poderia ser! Sentia um calor todas as vezes que olhava para a minha direção, e era justamente este calor que me dava mais forças para seguir em frente!
Lutei contra o casulo em que me aprisionei. Foram diversas tentativas. Por vezes ficava exausta, mas seguia tentando. Passei a acreditar que talvez a vida pudesse ser mais leve e colorida se eu conseguisse atravessar essa difícil etapa.
Hoje sei que não é nada fácil olhar para dentro de si mesma... Mas eu sobrevivi a isso. E jamais poderia imaginar o mundo que me aguardava.
De repente senti meu corpo leve, quase a flutuar! Senti o calor do sol me aquecendo, como se estivesse a saudar minha presença por entre as flores.
Novamente intui que você estava a me observar, maravilhado com a minha transformação, evidente aos olhos de qualquer um que tenha me conhecido anteriormente.
Agora entendo sua intenção ao me guiar tão ternamente. Por mais que eu fosse feia e egoísta, estando consumida por mim, você sabia que um dia eu poderia me libertar e me tornar bela e altruísta, superando os obstáculos.
E divagando sobre as sutilezas das suas lições, continuei a descobrir os campos floridos, que de fato me aguardavam para compor a sua obra. E não olhei para trás. Mas sei que se o tivesse feito, teria visto o meu casulo vazio, casulo este que um dia abrigou uma lagarta, mas que também libertou uma borboleta.
Há muito lutava contra eu mesma. Desisti de ser triste, feia, relutante. É a minha verdadeira natureza? Não sei... Olhei para dentro de mim e vi poucas qualidades e muitos defeitos. Vi podridão, egoísmo, medo...
Mas você enxergou apenas as qualidades, viu um ser que evitava a presença das pessoas por não saber como lidar com elas.
O mundo era apenas escuridão antes de encontrar o brilho do seu olhar. As flores não tinham perfume e suas cores eram apagadas, eu não via magia alguma em apreciar a diversidade de espécies que me cercavam.
Mas os dias foram passando, ora lentos, ora depressa demais. Algo mudava dentro de mim a cada dia, eu não conseguia entender o que poderia ser! Sentia um calor todas as vezes que olhava para a minha direção, e era justamente este calor que me dava mais forças para seguir em frente!
Lutei contra o casulo em que me aprisionei. Foram diversas tentativas. Por vezes ficava exausta, mas seguia tentando. Passei a acreditar que talvez a vida pudesse ser mais leve e colorida se eu conseguisse atravessar essa difícil etapa.
Hoje sei que não é nada fácil olhar para dentro de si mesma... Mas eu sobrevivi a isso. E jamais poderia imaginar o mundo que me aguardava.
De repente senti meu corpo leve, quase a flutuar! Senti o calor do sol me aquecendo, como se estivesse a saudar minha presença por entre as flores.
Novamente intui que você estava a me observar, maravilhado com a minha transformação, evidente aos olhos de qualquer um que tenha me conhecido anteriormente.
Agora entendo sua intenção ao me guiar tão ternamente. Por mais que eu fosse feia e egoísta, estando consumida por mim, você sabia que um dia eu poderia me libertar e me tornar bela e altruísta, superando os obstáculos.
E divagando sobre as sutilezas das suas lições, continuei a descobrir os campos floridos, que de fato me aguardavam para compor a sua obra. E não olhei para trás. Mas sei que se o tivesse feito, teria visto o meu casulo vazio, casulo este que um dia abrigou uma lagarta, mas que também libertou uma borboleta.
Friday, May 18, 2007
O homem nu
De Marcelo Ferrari
Não tenho sonhos. Perdi as esperanças quando cheguei nesta ilha. E não sou pessimista como as pessoas do continente povoado. Os pessimistas do continente povoado também têm sonhos. Também fervem em esperanças. Eles esperam pelo pior. Eu não espero pelo pior, nem pelo melhor, nem por nada. Não tenho mais esperança. Tive que me despir da esperança para poder pisar aqui. Tive que me despir do passado e do futuro, de tudo que conhecia, até de mim mesmo. Agora não tenho mais nada. Só este vazio que é minha fé. Se você está no continente povoado, lendo a mensagem que mandei numa garrafa, achará contraditório o que digo, pois no continente povoado fé é sinônimo de esperança. Pura ilusão povoada! A esperança é assim, povoada e condicional. Quem espera, espera sempre algo. A fé é vazia e incondicional. Quem tem fé, não espera nada.Você sabe disto. Muitas vezes, quando deita a noite em sua cama, você sai do continente povoado e vem até a ilha. Me responda: alguma vez, durante estas viagens,você teve esperança? Claro que não! Você teve apenas o que teve, o acontecimento. Mas quando você acorda no continente povoado, você esvazia sua fé se enche de esperança. Quando você acorda no continente povoado você sonha que pode chegar a algum lugar além do sonho. Você não pode. Acorde para o sonho. Dispa-se das esperanças. Retorne para a ilha vazia de onde nunca poderá sair.
Não tenho sonhos. Perdi as esperanças quando cheguei nesta ilha. E não sou pessimista como as pessoas do continente povoado. Os pessimistas do continente povoado também têm sonhos. Também fervem em esperanças. Eles esperam pelo pior. Eu não espero pelo pior, nem pelo melhor, nem por nada. Não tenho mais esperança. Tive que me despir da esperança para poder pisar aqui. Tive que me despir do passado e do futuro, de tudo que conhecia, até de mim mesmo. Agora não tenho mais nada. Só este vazio que é minha fé. Se você está no continente povoado, lendo a mensagem que mandei numa garrafa, achará contraditório o que digo, pois no continente povoado fé é sinônimo de esperança. Pura ilusão povoada! A esperança é assim, povoada e condicional. Quem espera, espera sempre algo. A fé é vazia e incondicional. Quem tem fé, não espera nada.Você sabe disto. Muitas vezes, quando deita a noite em sua cama, você sai do continente povoado e vem até a ilha. Me responda: alguma vez, durante estas viagens,você teve esperança? Claro que não! Você teve apenas o que teve, o acontecimento. Mas quando você acorda no continente povoado, você esvazia sua fé se enche de esperança. Quando você acorda no continente povoado você sonha que pode chegar a algum lugar além do sonho. Você não pode. Acorde para o sonho. Dispa-se das esperanças. Retorne para a ilha vazia de onde nunca poderá sair.
Thursday, May 17, 2007
Voltas que o mundo dá
De Tiago Abad
O mundo gira, a roda gira, a vida gira... e as pessoas estão ficando cada vez mais quadradas. Olha, não estou fazendo uma apologia às drogas, muito menos mandando todo mundo tirar a roupa e ver no que dá. Não é com relação à caretice, mas sim, ao simples fato de nos relacionarmos. Amizade, companheirismo, coleguismo no mínimo.
O mundo está infeliz e todos colocam culpa na tal da depressão. A depressão é coletiva! Quem será feliz sem ter amigos, sem ter pessoas as quais pode conversar? Confiar em alguém então, é mosca branca, deixa isso pra lá, estou falando apenas de relacionamentos.
O bom dia está cada vez mais raro. Todos andam por aí com cara de elevador... olham pra baixo, pra cima ou pra algum lado cujo olhar não cruze o seu. Mas fiquemos atentos também à atual realidade, pois ela prega peças. O simples cruzar de olhares cujo objetivo simples era o de cumprimentar, pode acabar deixando a entender que você deseja a pessoa. É uma loucura, caos, confusão total...
Sou partidário do "vamos ser felizes" mas isso está cada vez mais distante. Não posso confiar tanto, preciso ver meus limites; não posso ser tão amigo, pois há limites; não posso ser companheiro, as outras pessoas que convivem com você acabam achando que as excluiu do rol de amizades; aliás, o que podemos?E viva os papéis sociais! Pra determinado grupo sou assim, pra determinadas pessoas sou de outro jeito, pra mim mesmo, nem sei o que sou. Hora simpático, hora triste, hora feliz e hora de morfar. Os desenhos tinham razão "Super Gênios ativar!". As histórias em quadrinhos estão presentes no dia a dia, e personagens existem de monte... difícil mesmo é ver alguém fantasiado de si mesmo. A sinceridade provoca medo no ouvinte e, a verdade, está cheia de agressões.
O mundo gira, a roda gira, a vida gira... e as pessoas estão ficando cada vez mais quadradas. Olha, não estou fazendo uma apologia às drogas, muito menos mandando todo mundo tirar a roupa e ver no que dá. Não é com relação à caretice, mas sim, ao simples fato de nos relacionarmos. Amizade, companheirismo, coleguismo no mínimo.
O mundo está infeliz e todos colocam culpa na tal da depressão. A depressão é coletiva! Quem será feliz sem ter amigos, sem ter pessoas as quais pode conversar? Confiar em alguém então, é mosca branca, deixa isso pra lá, estou falando apenas de relacionamentos.
O bom dia está cada vez mais raro. Todos andam por aí com cara de elevador... olham pra baixo, pra cima ou pra algum lado cujo olhar não cruze o seu. Mas fiquemos atentos também à atual realidade, pois ela prega peças. O simples cruzar de olhares cujo objetivo simples era o de cumprimentar, pode acabar deixando a entender que você deseja a pessoa. É uma loucura, caos, confusão total...
Sou partidário do "vamos ser felizes" mas isso está cada vez mais distante. Não posso confiar tanto, preciso ver meus limites; não posso ser tão amigo, pois há limites; não posso ser companheiro, as outras pessoas que convivem com você acabam achando que as excluiu do rol de amizades; aliás, o que podemos?E viva os papéis sociais! Pra determinado grupo sou assim, pra determinadas pessoas sou de outro jeito, pra mim mesmo, nem sei o que sou. Hora simpático, hora triste, hora feliz e hora de morfar. Os desenhos tinham razão "Super Gênios ativar!". As histórias em quadrinhos estão presentes no dia a dia, e personagens existem de monte... difícil mesmo é ver alguém fantasiado de si mesmo. A sinceridade provoca medo no ouvinte e, a verdade, está cheia de agressões.
Wednesday, May 16, 2007
O PAPA É POP
De Li de Oliveira
Desde sempre já foi dito “religião não se discute”. Pois então, caro leitor, não iremos discutir, apenas ao decorrer das linhas vou comentar sem buscar a discussão, a visita de Vossa Santidade ao nosso país.
Impossível ignorar o fato grandioso, sendo ele tão presente por estes dias passados. Fico eu a refletir diante de vários pontos do acontecimento.O Brasil é um dos paises mais católicos do mundo (??). Se esta informação confere, pergunto-me: O que é o catolicismo? A igreja católica condena a camisinha, todos estes presentes reverenciando o papa “nunca encaparam o bicho”!? Oh perdoe-me o palavreado chulo para divagar tão sério assunto. Afinal, falamos do Papa, Vossa Santidade. Condena também o divórcio, quantos lá estavam que são divorciados? Aceitam mesmo a idéia que o certo é permanecer ao lado de uma pessoa que não a faz feliz? Afinal, provavelmente quando se casaram a bola de cristal não estava funcionando.
Condena mãe solteira. E para este fato abro um parágrafo. Pois sim, é complexo. Se for mãe é porque transou sem camisinha. Condenada. Se for mãe solteira é porque fez sexo não com intuito “primórdio” da procriação. Condenada. Se for mãe solteira não é humana? Não merece o entendimento de seu erro. Se é que foi um erro. Por que gerar uma vida é lindo. É sagrado. É de Deus. Mas ainda assim, “condenadas” aposto que muitas estavam lá.
Respeito, de verdade, a fé. Seja ela qual for e nome que levar. Só me sinto indignada e com minha inteligência subestimada por de repente uma massa quase infinita levar-se aos estádios como almas fervorosas e puras para louvar nem mesmo a Deus, e sim ao Papa.
Generalizar é injusto, eu concordo. Mas não vou ser crente em achar que ninguém ali estava no Campo de Marte para “matar” a manhã de trabalho e de quebra ver “o grande espetáculo”. Como no Natal todo mundo se diz comportado e merece presente.
Por notícias pescadas soube que quiseram “limpar” a Praça da Sé de seus moradores de rua. Para que o Papa visse um Brasil limpo e lindo. Por quê? O Papa não se penaliza e compreende os problemas sociais de qualquer país?
Além desta notícia li também “Marisa Letícia, a primeira dama, veste um sobretudo bege para encarar o frio”. Sim, essa notícia me foi de grande valia. Eu diria que foi realmente querer tirar leite de vaca.
Para ser breve, e tentar me fazer entender o melhor possível, o que quero dizer é: A visita do Papa é lisonjeira, ainda mais no dia das mães. É uma celebração bonita e pura. Mas a minha ressalva é individual, com cada consciência que aqui me lê, de que adianta rezar com o Papa, maior autoridade do catolicismo e ir contra (por toda a uma vida) aos seus mandamentos?
Um salve a hipocrisia, amém.
Desde sempre já foi dito “religião não se discute”. Pois então, caro leitor, não iremos discutir, apenas ao decorrer das linhas vou comentar sem buscar a discussão, a visita de Vossa Santidade ao nosso país.
Impossível ignorar o fato grandioso, sendo ele tão presente por estes dias passados. Fico eu a refletir diante de vários pontos do acontecimento.O Brasil é um dos paises mais católicos do mundo (??). Se esta informação confere, pergunto-me: O que é o catolicismo? A igreja católica condena a camisinha, todos estes presentes reverenciando o papa “nunca encaparam o bicho”!? Oh perdoe-me o palavreado chulo para divagar tão sério assunto. Afinal, falamos do Papa, Vossa Santidade. Condena também o divórcio, quantos lá estavam que são divorciados? Aceitam mesmo a idéia que o certo é permanecer ao lado de uma pessoa que não a faz feliz? Afinal, provavelmente quando se casaram a bola de cristal não estava funcionando.
Condena mãe solteira. E para este fato abro um parágrafo. Pois sim, é complexo. Se for mãe é porque transou sem camisinha. Condenada. Se for mãe solteira é porque fez sexo não com intuito “primórdio” da procriação. Condenada. Se for mãe solteira não é humana? Não merece o entendimento de seu erro. Se é que foi um erro. Por que gerar uma vida é lindo. É sagrado. É de Deus. Mas ainda assim, “condenadas” aposto que muitas estavam lá.
Respeito, de verdade, a fé. Seja ela qual for e nome que levar. Só me sinto indignada e com minha inteligência subestimada por de repente uma massa quase infinita levar-se aos estádios como almas fervorosas e puras para louvar nem mesmo a Deus, e sim ao Papa.
Generalizar é injusto, eu concordo. Mas não vou ser crente em achar que ninguém ali estava no Campo de Marte para “matar” a manhã de trabalho e de quebra ver “o grande espetáculo”. Como no Natal todo mundo se diz comportado e merece presente.
Por notícias pescadas soube que quiseram “limpar” a Praça da Sé de seus moradores de rua. Para que o Papa visse um Brasil limpo e lindo. Por quê? O Papa não se penaliza e compreende os problemas sociais de qualquer país?
Além desta notícia li também “Marisa Letícia, a primeira dama, veste um sobretudo bege para encarar o frio”. Sim, essa notícia me foi de grande valia. Eu diria que foi realmente querer tirar leite de vaca.
Para ser breve, e tentar me fazer entender o melhor possível, o que quero dizer é: A visita do Papa é lisonjeira, ainda mais no dia das mães. É uma celebração bonita e pura. Mas a minha ressalva é individual, com cada consciência que aqui me lê, de que adianta rezar com o Papa, maior autoridade do catolicismo e ir contra (por toda a uma vida) aos seus mandamentos?
Um salve a hipocrisia, amém.
Tuesday, May 15, 2007
Procuro um tema
De Thiago Fabrette
Estou à procura de um tema. Quero escrever sobre o mundo!
Já sei! Visita do Papa ao Brasil! Ah, meio “lugar comum”. Todos os jornais escreveram hoje sobre isso; E além do mais, nem religioso eu sou. Ando meio por fora até para escrever sobre isso. E que moral eu tenho de achar isso ou aquilo, de afirmar que a Santidade deve visitar esse ou aquele lugar. Ou até mesmo de criar polêmica sobre camisinhas ou aborto.
Ah! Aquecimento global! Xiii, será? Essa polêmica eu apóio, concordo, mas não faço muito por isso. Não separo meu lixo em casa, só trabalho de carro, sou fumante... Nunca plantei uma só árvore.
Opa! Os políticos aumentaram o próprio salário! Ah, já escrevi sobre isso. E além do mais, não vai adiantar porra nenhuma falar disso agora. O Papa está no Brasil e os jornais nem vão dar muita bola.
Evo Morales? Hugo Cháves? Lula? Bush e Tony Blair? Ai que saco! Chega desses caras, irc...
Consumismo exacerbado? Juventude pseudo-rebelde? Não, não. Muito “in”. To fora.
VIOLÊNCIA!!! Isso! Ultrapassando “desemprego” na preocupação da população! Isso!! Boa! Mas... Pensando bem... Falar o que? Que cansei? Que cansamos? Que a polícia é corrupta e corporativista?
Falar... Da dissolução da família! Ai que coisa mais chata. Acho que eu to chato hoje.
E se eu mudasse de tom? E se eu procurasse falar de coisas mais amenas...
E se...
E se eu escrevesse sobre coisas boas? Pensa, cara, pensa...
E se eu falasse de mim? Lógico! Agora entendi por que não consigo achar um tema crítico de tom ríspido! Estou apaixonado! Não dá! Só dá pra falar de passarinhos verdes, de natureza, de alegria e de como a vida muda de perspectiva quando estamos assim, meio bobos!
Então, vou falar de paixão! Caraca! Dez minutos pensando e nada!
Já sei. Não é pra falar. É pra sentir.
E é isso que eu vou fazer, sentir. E, se um dia eu conseguir, ponho no papel, mas, por hora, vou ficar por aqui. Até a próxima.
Estou à procura de um tema. Quero escrever sobre o mundo!
Já sei! Visita do Papa ao Brasil! Ah, meio “lugar comum”. Todos os jornais escreveram hoje sobre isso; E além do mais, nem religioso eu sou. Ando meio por fora até para escrever sobre isso. E que moral eu tenho de achar isso ou aquilo, de afirmar que a Santidade deve visitar esse ou aquele lugar. Ou até mesmo de criar polêmica sobre camisinhas ou aborto.
Ah! Aquecimento global! Xiii, será? Essa polêmica eu apóio, concordo, mas não faço muito por isso. Não separo meu lixo em casa, só trabalho de carro, sou fumante... Nunca plantei uma só árvore.
Opa! Os políticos aumentaram o próprio salário! Ah, já escrevi sobre isso. E além do mais, não vai adiantar porra nenhuma falar disso agora. O Papa está no Brasil e os jornais nem vão dar muita bola.
Evo Morales? Hugo Cháves? Lula? Bush e Tony Blair? Ai que saco! Chega desses caras, irc...
Consumismo exacerbado? Juventude pseudo-rebelde? Não, não. Muito “in”. To fora.
VIOLÊNCIA!!! Isso! Ultrapassando “desemprego” na preocupação da população! Isso!! Boa! Mas... Pensando bem... Falar o que? Que cansei? Que cansamos? Que a polícia é corrupta e corporativista?
Falar... Da dissolução da família! Ai que coisa mais chata. Acho que eu to chato hoje.
E se eu mudasse de tom? E se eu procurasse falar de coisas mais amenas...
E se...
E se eu escrevesse sobre coisas boas? Pensa, cara, pensa...
E se eu falasse de mim? Lógico! Agora entendi por que não consigo achar um tema crítico de tom ríspido! Estou apaixonado! Não dá! Só dá pra falar de passarinhos verdes, de natureza, de alegria e de como a vida muda de perspectiva quando estamos assim, meio bobos!
Então, vou falar de paixão! Caraca! Dez minutos pensando e nada!
Já sei. Não é pra falar. É pra sentir.
E é isso que eu vou fazer, sentir. E, se um dia eu conseguir, ponho no papel, mas, por hora, vou ficar por aqui. Até a próxima.
Monday, May 14, 2007
Outra Vez
De Suzana Marion
Ele tem mil “primeiros encontros perfeitos” guardados na manga. Eu não falo de nenhum Dom Juan, mas ele já me reconquistou muitas vezes. O crescimento e o aprendizado dele me fascinam, mas ele não é nenhum bebê. Eu vou derretendo nas suas poucas palavras e me misturando ao derretimento dele nas minhas muitas. (Preciso do endereço da moça que ensinou esses novos truques pra mandar um cartão agradecendo! Foi simplesmente perfeito! )
Ele não é o mesmo de antes, se não tem ninguém por perto ele toma iniciativa, desmarca seus compromissos pra me ver, beija diferente, segura diferente... e meus planos foram por água abaixo. Eu que ia pegar leve e bancar a irmãzinha... esperar até passar essa dor que tenho no peito, quando vejo ele de longe e não posso chegar perto. Daí ele vem e me surpreende, me tira o fôlego, me tira as dúvidas e a insegurança com seu interesse e seus esforços! Eu fico feliz em dormir tarde porque estamos conversando sobre tudo e sobre nada, em “ficar abalada” e com isso perder o sono.
Longe de estar confusa ou insegura, eu preciso dizer que não espero nada, que não quero ter agora sentimentos definidos, nem fazer planos, nem mandar cobranças. Como uma viciada em relacionamentos ruins, porém em recuperação, vou viver um dia de cada vez, uma mensagem no meio da tarde por vez, um suspiro de saudade por vez e um reencontro feliz por semana!
Ele tem mil “primeiros encontros perfeitos” guardados na manga. Eu não falo de nenhum Dom Juan, mas ele já me reconquistou muitas vezes. O crescimento e o aprendizado dele me fascinam, mas ele não é nenhum bebê. Eu vou derretendo nas suas poucas palavras e me misturando ao derretimento dele nas minhas muitas. (Preciso do endereço da moça que ensinou esses novos truques pra mandar um cartão agradecendo! Foi simplesmente perfeito! )
Ele não é o mesmo de antes, se não tem ninguém por perto ele toma iniciativa, desmarca seus compromissos pra me ver, beija diferente, segura diferente... e meus planos foram por água abaixo. Eu que ia pegar leve e bancar a irmãzinha... esperar até passar essa dor que tenho no peito, quando vejo ele de longe e não posso chegar perto. Daí ele vem e me surpreende, me tira o fôlego, me tira as dúvidas e a insegurança com seu interesse e seus esforços! Eu fico feliz em dormir tarde porque estamos conversando sobre tudo e sobre nada, em “ficar abalada” e com isso perder o sono.
Longe de estar confusa ou insegura, eu preciso dizer que não espero nada, que não quero ter agora sentimentos definidos, nem fazer planos, nem mandar cobranças. Como uma viciada em relacionamentos ruins, porém em recuperação, vou viver um dia de cada vez, uma mensagem no meio da tarde por vez, um suspiro de saudade por vez e um reencontro feliz por semana!
Wednesday, May 09, 2007
Analu
De Lucimara Paiva
A gente vive entre a paz e o conflito, como qualquer relação normal. Oscilamos entre o amor por bichos e a guerra por causa do quarto bagunçado. Amamos nossas diferenças e amo mais ainda as diferenças dela.
Quando a gente quase se mata é para dar mais emoção para a rotina. Ela sabe que tenho mais coisas dela do que eu mesma consigo imaginar. Talvez eu até me dê conta disso sem perceber e agradeço cada detalhe.
Eu conheço o cheiro dela, sei quando ela ri de nervoso e timidez, sei quando ela começa a ser desbocada para tentar se esconder de vergonha, sei quando ela quer se esconder por estar triste, sei o que ela guarda, o que ela quer, mesmo que não diga uma palavra.
Dou risada quando ela fica alegre de tanto tomar caipirinha. Dou risada quando, a cada 5 segundos, ela fala de um cachorro na rua, mas nesse caso dou risada porque fico triste por não poder fazer absolutamente nada. Nem por ela, nem pelo cachorro. Risada de “o que eu falo agora”, sabe? E acabamos concordando que nosso ódio por seres humanos muitas vezes é do mesmo tamanho.
Nunca vi pessoa mais sincera, mais transparente, e se algum dia alguém disse que eu tava ridícula usando ou fazendo algo, acredite, ela foi a primeira a falar.
Ela é meu alicerce, a opinião que vale antes de todas, diversão garantida, o pavio curto. E faz um bolo maravilhoso que já está famoso.
Como eu queria poder dar mais que um livro com uma dedicatória sincera. Como eu queria dar as chaves de um carro, falar “entre aí, ligue o som no último volume e se quiser cantar aos berros, pode mandar bala. Quando você chegar lá no final vai ter uma casona te esperando, com aquele jardim enorme que mais parece uma selva para você pirar com terra, minhocas e adubo o dia todo, como sempre quis. Ah, e tem um canil no fundo do quintal, só que os bichos, você vai ter que se virar e sair resgatando pela rua.”.
Adoro quando ela dança country na cozinha, adoro quando ela morre de rir quando arrasto-a pelo pé enquanto lustro o chão. Adoro quando ela se espanta com minhas histórias, quando acordo no final de semana e ela está elétrica andando de um lado para outro, porque sei que ela está bem. Fico com o ego inflado quando falam que ela é linda. Tire o olho da minha mãe! Ai, que coisa!
E se um dia eu perder tudo isso, minha razão vai se perder junto e vou virar a inércia tocando a vida simplesmente porque a vida é assim, porém nada mais vai ter graça.
A gente vive entre a paz e o conflito, como qualquer relação normal. Oscilamos entre o amor por bichos e a guerra por causa do quarto bagunçado. Amamos nossas diferenças e amo mais ainda as diferenças dela.
Quando a gente quase se mata é para dar mais emoção para a rotina. Ela sabe que tenho mais coisas dela do que eu mesma consigo imaginar. Talvez eu até me dê conta disso sem perceber e agradeço cada detalhe.
Eu conheço o cheiro dela, sei quando ela ri de nervoso e timidez, sei quando ela começa a ser desbocada para tentar se esconder de vergonha, sei quando ela quer se esconder por estar triste, sei o que ela guarda, o que ela quer, mesmo que não diga uma palavra.
Dou risada quando ela fica alegre de tanto tomar caipirinha. Dou risada quando, a cada 5 segundos, ela fala de um cachorro na rua, mas nesse caso dou risada porque fico triste por não poder fazer absolutamente nada. Nem por ela, nem pelo cachorro. Risada de “o que eu falo agora”, sabe? E acabamos concordando que nosso ódio por seres humanos muitas vezes é do mesmo tamanho.
Nunca vi pessoa mais sincera, mais transparente, e se algum dia alguém disse que eu tava ridícula usando ou fazendo algo, acredite, ela foi a primeira a falar.
Ela é meu alicerce, a opinião que vale antes de todas, diversão garantida, o pavio curto. E faz um bolo maravilhoso que já está famoso.
Como eu queria poder dar mais que um livro com uma dedicatória sincera. Como eu queria dar as chaves de um carro, falar “entre aí, ligue o som no último volume e se quiser cantar aos berros, pode mandar bala. Quando você chegar lá no final vai ter uma casona te esperando, com aquele jardim enorme que mais parece uma selva para você pirar com terra, minhocas e adubo o dia todo, como sempre quis. Ah, e tem um canil no fundo do quintal, só que os bichos, você vai ter que se virar e sair resgatando pela rua.”.
Adoro quando ela dança country na cozinha, adoro quando ela morre de rir quando arrasto-a pelo pé enquanto lustro o chão. Adoro quando ela se espanta com minhas histórias, quando acordo no final de semana e ela está elétrica andando de um lado para outro, porque sei que ela está bem. Fico com o ego inflado quando falam que ela é linda. Tire o olho da minha mãe! Ai, que coisa!
E se um dia eu perder tudo isso, minha razão vai se perder junto e vou virar a inércia tocando a vida simplesmente porque a vida é assim, porém nada mais vai ter graça.
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